De Crepusculis

"Na presença do vosso muito esclarecido irmão o Infante D. Henrique, príncipe integérrimo, a quem a pureza de vida e o saber das letras exornam sobremaneira, e estrénuo defensor da vossa fé, ocorreu há pouco, Rei invictissimo, falar-se dos crepúsculos. Jamais êle desperdiça o tempo, aplicando-o constantemente em velar pela salvação das almas, em lidar com os melhores autores ou em ouvir crepusculis 1edicaoa conversação dos letrados; não obstante, compraz-se de modo admirável com a teórica da Astronomia, isto é, da ciência que se ocupa do curso dos astros e da universal composição do céu, que não da crendice vã e já quási rejeitada que emite juízos sôbre a vida e a fortuna. [...]
Nos últimos dias teve a curiosidade de saber a extensão dos crepúsculos nos diferentes climas. [...]Vendo eu, entretanto, que apenas se respondia com coisas muito sabidas e gastas, e por ninguém, que eu saiba, até agora demonstradas, seduziu-me o intento de explicar claramente êste assunto mediante os princípios certíssimos e evidentissimos da matemática."

Excerto da dedicatória de Pedro Nunes a D. João III, em De crepusculis."O De Crepusculis é por vários comentadores considerado a obra-prima de Pedro Nunes. Nele o matemático analisa, em resposta a uma pergunta do príncipe D. Henrique – o futuro Cardeal-Rei –, o problema da “extensão do crepúsculo em diferentes climas”, a que aplica o rigor do seu poderoso raciocínio. Entre outros resultados, determinou a data e a duração do crepúsculo mínimo para cada lugar no globo."João Filipe Queiró

 

Pedro Nunes, o matemático do nónio

Para mais informações:

Pedro Nunes, Ímpar na Hispânia Quinhentista